O Martinho e as Estrelas

28,50 €

le.martinho.004

Novo produto

O Martinho e as Estrelas é uma peça em faiança, vidrada manualmente a duas cores segundo o uso da tradição da técnica manual do mergulho e da vidração à pistola. Cor verde.

Adaptada para lavagem na máquina e para uso no microondas.

Medidas: 195x165x90mm

Mais detalhes

O PROJECTO

Em Junho de 2013, surge o Laboratório d’Estórias: um espaço experimental de design que pretende inspirar-se nas estórias da cultura popular portuguesa para reinventar objectos tradicionais, utilizando-os para contar novas estórias — e, porque não, para recriar a própria história do país.

Neste Laboratório, até a técnica conta uma história – e esta leva-nos ao início do século XIX, mais concretamente entre 1820-1853, onde uma ceramista chamada Maria dos Cacos se viria a tornar na primeira de uma longa tradição de barristas e oleiros caldenses. Pouca informação há sobre o assunto; mas da sua fábrica de cerâmica sairiam tigelas, barros, garrafas e paliteiros, banhados em vidrados verdes e cor de mel com escorridos, que se terão tornado populares e vendidos nas feiras de todo o país.

Nos dias de hoje, com o encerrar de várias fábricas nas Caldas e um processo de fabrico de loiça cada vez mais industrializado, essa técnica ancestral é uma estória que ameaça perder-se para sempre. E é na tentativa de preservar este saber que o Laboratório d’Estórias encontra também uma razão de ser, recuperando e valorizando as técnicas de pintura do final do século XIX e inícios do século XX e a vasta tradição de técnica manual das Caldas da Rainha; mas, ao mesmo tempo, não pondo de parte a possibilidade de ir buscar inspiração em outras técnicas, talvez para contar outras estórias.

gente do projecto laboratorio.jpg    tudas pecas laboratorio destorias.jpg

Os objectos surgem assim como memoriais, provas físicas de uma história que nunca existiu. Mas os autores do projecto não pretendem ser os únicos a contá-la: ao convidarem ilustradores nacionais e até o próprio público para acrescentar valor ao produto final com as suas interpretações, conto e imagem tornam-se parte integrante dos objectos reinventados, levando-os muito mais além do que o seu propósito meramente decorativo ou funcional.

No final, cada peça é em si uma estória única e dinâmica, pronta a ser descoberta. Do seu conjunto surge a mais-valia de uma colecção que funde a realidade com o mito, a tradição com a fábula; mas, acima de tudo, que dá largas à nossa imaginação, lançando um olhar fresco e irreverente sobre os ícones adormecidos da cultura popular portuguesa.

O MARTINHO

O Martinho e as Estrelas é uma peça em faiança, vidrada manualmente a duas cores segundo o uso da tradição da técnica manual do mergulho e da vidração à pistola.

martinho e as estrelas    martinho e as estrelas    

ESTÓRIA DA PEÇA:

Dizem os populares que as estrelas no céu nocturno anunciam a bonança. Mas nessa noite tempestuosa de Outono chovia a cântaros, e nem o luar era possível vislumbrar: o céu encontrava-se negro e coberto de nuvens, sinal de que o mau tempo viera para ficar. Pelo menos, era nisso que pensava o soldado romano Martinho enquanto atravessava o souto para regressar a casa. O seu cavalo dava sinais de estar exausto, e não era o único; a batalha tinha sido dura, mas tinham atingido a vitória. De repente, ouviu um grito ténue entre o nevoeiro: “Senhor!”. “Quem és?”, perguntou Martinho, aproximando-se do vulto que lentamente emergia das brumas. O homem, magro e idoso, estava encharcado da cabeça aos pés. A água escorria-lhe pelas longas barbas cinzentas, para logo se perder na pouca roupa que levava no corpo. Tiritando de frio, atirou ao soldado: “Uma esmola para um pobre mendigo que não tem tecto para se abrigar”. “Não tenho nada comigo que te possa dar”, disse Martinho, “mas talvez te possa ajudar”. Com a sua espada, cortou a sua capa a meio e ofereceu uma metade ao homem, dizendo-lhe: “Abriga-te com isto e espera por mim”.

E partiu de seguida com o seu cavalo na direcção de um enorme castanheiro que se encontrava por perto. Quando regressou, trazia na sua capa uma enorme quantidade de ouriços de castanha. “E o que faço eu com isso?”, perguntou o homem. Sem dar resposta, Martinho usou a sua metade da capa como uma catapulta, lançando todos os ouriços para o céu: mas, como por milagre, nenhum caiu. Em vez disso, os ouriços colaram-se ao céu como se de velcro se tratasse, transformando-se em pequenas estrelinhas. Logo as nuvens se dissiparam, e a noite de Outono deu lugar a uma linda manhã de Sol. Desde então, reza a lenda que todos os anos existe em Novembro o Verão de S. Martinho; mas o que a maior parte das pessoas não sabe é que, nesse dia, o Sol aqueceu os ouriços de castanha de tal forma que choveram castanhas assadas, bem como um pedaço de ouriço-estrela que Martinho guardou como recordação. Talvez, quem sabe, para usar como prato em dias especiais.

O artesanato português utiliza técnicas de fabrico tradicionais; é uma forma de valorizar os nossos saberes, muitas vezes esquecidos.
Sempre que possível, prefira este tipo de produtos.

Sem avaliações neste momento.

Escrever uma avaliação

O Martinho e as Estrelas

O Martinho e as Estrelas

O Martinho e as Estrelas é uma peça em faiança, vidrada manualmente a duas cores segundo o uso da tradição da técnica manual do mergulho e da vidração à pistola. Cor verde.

Adaptada para lavagem na máquina e para uso no microondas.

Medidas: 195x165x90mm

30 produtos nesta categoria: