O Monte das Oliveiras

48,00 €

le.moliveiras.005

Novo produto

O Monte das Oliveiras é uma composição de três peças representativas da tradição da olivicultura, em Portugal, sendo o seu desenho inspirados no olival. O conjunto é constituído por uma peça com características próprias para degustar azeite, uma taça e uma tábua para servir alimentos. 

Adaptadas à máquina de lavar e microondas. A taça pode ser utilizado no forno.

Medidas: 185x120x48mm

Mais detalhes

O PROJECTO

Em Junho de 2013, surge o Laboratório d’Estórias: um espaço experimental de design que pretende inspirar-se nas estórias da cultura popular portuguesa para reinventar objectos tradicionais, utilizando-os para contar novas estórias — e, porque não, para recriar a própria história do país.

Neste Laboratório, até a técnica conta uma história – e esta leva-nos ao início do século XIX, mais concretamente entre 1820-1853, onde uma ceramista chamada Maria dos Cacos se viria a tornar na primeira de uma longa tradição de barristas e oleiros caldenses. Pouca informação há sobre o assunto; mas da sua fábrica de cerâmica sairiam tigelas, barros, garrafas e paliteiros, banhados em vidrados verdes e cor de mel com escorridos, que se terão tornado populares e vendidos nas feiras de todo o país.

Nos dias de hoje, com o encerrar de várias fábricas nas Caldas e um processo de fabrico de loiça cada vez mais industrializado, essa técnica ancestral é uma estória que ameaça perder-se para sempre. E é na tentativa de preservar este saber que o Laboratório d’Estórias encontra também uma razão de ser, recuperando e valorizando as técnicas de pintura do final do século XIX e inícios do século XX e a vasta tradição de técnica manual das Caldas da Rainha; mas, ao mesmo tempo, não pondo de parte a possibilidade de ir buscar inspiração em outras técnicas, talvez para contar outras estórias.

gente do projecto laboratorio.jpg    tudas pecas laboratorio destorias.jpg

Os objectos surgem assim como memoriais, provas físicas de uma história que nunca existiu. Mas os autores do projecto não pretendem ser os únicos a contá-la: ao convidarem ilustradores nacionais e até o próprio público para acrescentar valor ao produto final com as suas interpretações, conto e imagem tornam-se parte integrante dos objectos reinventados, levando-os muito mais além do que o seu propósito meramente decorativo ou funcional.

No final, cada peça é em si uma estória única e dinâmica, pronta a ser descoberta. Do seu conjunto surge a mais-valia de uma colecção que funde a realidade com o mito, a tradição com a fábula; mas, acima de tudo, que dá largas à nossa imaginação, lançando um olhar fresco e irreverente sobre os ícones adormecidos da cultura popular portuguesa.

O MONTE DAS OLIVEIRAS

O Monte das Oliveiras é uma composição de três peças representativas da tradição da olivicultura, em Portugal.
O seu desenho é ditado por uma paisagem simbólica – o olival. O conjunto é constituído por uma peça com características próprias para degustar azeite, uma taça e uma tábua para servir alimentos. As peças são produzidas, em pasta de grés fino, banhadas manualmente, num vidrado branco translúcido, e complementadas por peças naturais de madeira de oliveira, criteriosamente recolhidas no olival português. As peças em grês, distinguem-se pela sua elevada resistência. Com a utilização, a madeira de oliveira adquire um tom esbranquiçado, poderá conservá-la através da aplicar de uma gordura natural – azeite.

ferramentas    monte das oliveiras    

ESTÓRIA DA PEÇA:

Diferentes povos dedicaram-me valores como a sabedoria, a paz, a abundância e a glória, tudo isso projetavam em mim. Os atletas gregos usavam uma coroa das minhas folhas caso se sagrassem vencedores. E as suas mulheres sentavam-se à minha sombra, quando queriam engravidar. Já os romanos usavam deste óleo para tudo, medicamento, cicatrizante, analgésico. Com a minha madeira se construíram ceptros reais, e com cada gota deste azeite milenar se ungiram monarcas e sacerdotes. Os hebraicos chamavam-me zait, e ao sumo da minha azeitona, az-zait, Na inigualável história de Noé perante o final do mundo, no livro do Génesis, uma pomba traz-lhe uma mensagem para que não se preocupe, que o mundo irá perseverar: essa mensagem é um ramo de oliveira que carrega no bico... Os egípcios já procuravam o óleo dos meus frutos há seis mil anos, depois na Síria, na Palestina, em todos estes lugares foram encontrados vestígios de instalações para a produção de azeite, além de fragmentos de grandes potes destinados a guardar o precioso líquido.

No início tinha família por todo o Crescente Fértil, e foram os gregos que nos levaram atrás na sua expansão. Também fomos levadas desde o Irão ao estremo sul do mar Cáspio. Aquilo que dávamos era tão rico, e a nossa sombra tão prazenteira, que nos levaram pela bacia do Mediterrâneo e mais tarde até além mar, nas caravelas, com os portugueses e com os espanhóis, até às Américas. No tempo dos Descobrimentos, o meu azeite era um dos "medicamentos" essenciais a bordo de qualquer nau. 

Trouxeram-me para Portugal, nem a palavra Portugal existia na boca dos homens. Mas a terra por debaixo dos seus pés, sim. Em Sta. Iria da Azóia, que na altura nem sonhava em chamar-se assim, tenho parentescos com quase três mil anos. Gostei dos terrenos pedregosos onde enrolar as minhas raízes, gostei do clima, da vista para o oceano. Há quem se queixe dos períodos de seca, a mim não me faz grande diferença. Como vos disse, adapto-me. Desfruta-se tanto mais das primeiras gotas de água quando por elas ansiámos durante meses e meses de escassez. Adaptando-me a tudo isso, tornei-me numa personagem indispensável ao palco da agricultura portuguesa, sempre em cena. Aqui fui bem recebida, e estimada. Todos me acolheram, no seu dia a dia, deixando que lhes alumiasse as candeias, aos pobres, e os candelabros, aos ricos. Sou parte essencial do repasto mais frugal, tanto quanto dos grandes banquetes dos nobres. E no ritos religiosos já não prescindem de mim.

Quando o homem pousou pé na lua, o que lá deixou foi uma parte de mim. Quando o astronauta Neil Armstrong finalmente alunou, deixou lá um dos meus ramos, na tentativa de simbolizar a paz. Também é irónico que sempre tenham usado os meus ramos e as minhas folhas para simbolizar a paz mas, bem vistas as coisas, os gregos queimavam todas as oliveiras do inimigo, em tempo de guerra. A ideia era enfraquece-los de fome. 

Pinga a pinga, poema a poema, a cada banquete, a cada farnel, todas as épocas souberam apreciar as muitas dimensões do azeite: o seu sabor, as suas múltiplas funções, o seu contributo para uma dieta saudável, o seu uso nas mais variadas culturas, ao longo de todos os tempos. São preciso cinco a seis quilos dos meus frutos para se extrair um litro de azeite. Cada gota desenha ao cair o fio desta história de tempos imemoriais. A gota que cai hoje na azeiteira da mesa moderna é essencialmente a mesma que outrora caiu no repasto do homem neolítico, na pele da mulher grega que o utilizava como hidratação, na candeia do pastor que conduzia os seus rebanhos pela noite escura. Iluminei a leitura dos Livros de Horas dos monges, e tantas outras horas sábias do mundo. Até à chegada à Europa das lamparinas a gás, no século XIX, eram as lamparinas de azeite que nos garantiam a iluminação. Gota a gota, cultura a cultura, refeição a refeição. Cada uma destas gotas vem de longe – e sabe muito.

Sem avaliações neste momento.

Escrever uma avaliação

O Monte das Oliveiras

O Monte das Oliveiras

O Monte das Oliveiras é uma composição de três peças representativas da tradição da olivicultura, em Portugal, sendo o seu desenho inspirados no olival. O conjunto é constituído por uma peça com características próprias para degustar azeite, uma taça e uma tábua para servir alimentos. 

Adaptadas à máquina de lavar e microondas. A taça pode ser utilizado no forno.

Medidas: 185x120x48mm

30 produtos nesta categoria: